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sábado, 13 de agosto de 2016

Cicatrizes de guerra dos povos das florestas

O racismo e o preconceito no Brasil não estão apenas restritos a discriminação de negros ou pobres. Assim como o discurso de repúdio não está limitado a uma simples posição política. Quem realmente se preocupa com seu semelhante tem motivações que transcendem esses limites ideológicos. Passa a ser uma questão de humanidade ou desumanidade.
A violência contra a população indígena não desperta grandes comoções, as pessoas pensam que índio é um povo selvagem que vive no mato e pronto. A ignorância da maioria do povo brasileiro faz com que nossos índios sejam vistos de maneira pejorativa e preconceituosa. Um grave equívoco e injustiça praticado contra eles. Todo mundo se maravilha com a cultura Maia, Inca e Asteca, mas ignora a riqueza cultural e espiritual dos nossos povos nativos.
O Brasileiro se choca tanto com massacres ocorridos em países distantes como a Síria, mas não sabe que dentro de sua própria nação atrocidades inimagináveis são praticadas á décadas e décadas contra os povos indígenas. Basta ler o “Relatório Figueiredo” que ficou desaparecido durante muitos anos. Nele estão relatos que deixariam horrorizados até mesmo os sanguinários Muamar Kadafi, Sadan Hussein ou Assad. Armas Químicas ou biológicas? No relatório está demonstrado que para ficar com suas terras fazendeiros misturavam veneno ao açúcar oferecido aos índios ou davam brinquedos contaminados as suas crianças com cepas de doenças como a varíola. Massacres? Segundo o relatório índios eram metralhados e até mesmo aviões lançavam dinamite em suas aldeias para exterminá-los. Torturas? Os índios eram chicoteados em troncos, apanhavam, eram presos, suas mulheres estupradas e seus filhos escravizados. Fraudes? Estima-se que cerca de 1 bilhão de reais em valores atualizados foram desviados das instituições que cuidavam dos índios na época. Além de suas terras terem sido vendidas a empresas de mineração, madeireiras, políticos e grileiros.

P.S.: O relatório foi encomendado pelos próprios militares e chefiado pelo então procurador da república Jader de Figueiredo Correia. Foi solicitado depois de denúncias apuradas por duas CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) nos anos 1955 e 1962 que apontaram irregularidades cometidas pelo SPI (serviço de Proteção ao Índio), órgão que antecedeu a Funai (Fundação Nacional do Índio). O relatório foi encontrado no Museu do Índio no Rio de Janeiro, depois de mais de 40 anos desaparecido e dado como perdido em um incêndio. Jader de Figueiredo morreu num acidente de ônibus nunca esclarecido aos 53 anos.


quinta-feira, 26 de maio de 2011

Dos mais belos índios


Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.
(Darcy Ribeiro)

Desde que nascemos aprendemos a escutar o grito dos ventos e o sussurrar da voz que vem da terra, “Ñande Reko Arandu” em nossa língua significa “Nós temos conhecimento”. Penso no pequeno curumim e o significado de seu nome em seu dialeto, “pequeno sol”, sua mãe disse que seus olhos brilharam muito desde que os abriu pela primeira vez e o pajé de sua tribo quando ele nasceu disse: “Esse será nosso pequeno sol que levará através do brilho de seu espírito interior a luz para toda a tribo e sabedoria nos passos do seu caminhar através do raio eterno de todos os seus ancestrais”.
Ele era neto do índio “Pescador de estrelas” e filho de “ olhos de céu” com a índia “ Cabelos cor-de-lagoa escura”, seus irmãos erma: “ A Flor que nasceu nas nuvens” e “ Filho das águas de março”.Quando pela primeira vez descobriu que havia outro mundo além do seu e homens vestidos chegaram a sua aldeia, os índios mais velhos já os conheciam de outras épocas e diziam que : “O homem branco fala com a língua partida", em referência as promessas vazias, as tentativas de os enganarem e em alusão à língua da serpente e ao duplo sentido da linguagem que eles usavam. Um velho índio que morava na oca mais afastada da aldeia chamado “Peito de pedra, coração de carne” um dia lhe ensinou uma lição da qual ele jamais se esqueceu: “Digo sempre que dentro de nós existem dois cachorros: um deles é cruel e mau, o outro é muito bom. Os dois estão sempre brigando. E se algum dia lhe perguntarem qual dos cachorros ganhará a briga, pare, reflita e diga:- Aquele que eu alimentar...”
Em todos os seus passos, mesmo naqueles mais distantes, o pequeno indiozinho cresceu e se tornou um homem, mas ele jamais deixou de ter em mente os mesmo sonhos, sim grandes sonhos de quando ainda era um curumim, tão maiores do que ele...
E quando eu o conheci nos arredores de Brasília ele me disse: “Algum dia você já sonhou tão grande que no seu sonhou coubesse cada ser humano e cada ser vivente desse planeta? Alguma vez na sua vida você já voou tão alto como uma águia e lá do alto você pudesse olhar a terra com os mesmo olhos que Deus nos vê?” Respondi pra ele que sim! Ele trabalhava num ministério todo de terno e gravata, chamava a atenção pelos seus traços indígenas e pelo cabelo preto e liso, mesmo vestido como “civilizado” era possível ver nele o eco da voz dos povos das florestas.
Porém aquele índio hoje está na porta do Congresso nacional, solitário, pintado para guerra protestando contra o código florestal a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, está lá representando milhares de anos de história, simbolizando a luta da natureza contra o progresso que ameaça destroçá-la, aquele índio é o pequeno sol brilhando sob as trevas do poder que quer esmagar o direito de viver, mas seu espírito de guerreiro é sólido como as rochas e sua forma de lutar é suave como as águas caindo da cachoeira.
E eu daqui de São Paulo queria muito estar ao seu lado nessa luta, porém tudo que me resta é desejar boa sorte e cantar também solitariamente a canção índios da Legião Urbana:  Quem me dera, ao menos uma vez, que o mais simples fosse visto como o mais importante, mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente.Quem me dera, ao menos uma vez,como a mais bela tribo, dos mais belos índios,não ser atacado por ser inocente...

Belo monte de m...


Espalhados em pequenos grupos por este imenso País, destituídos da pujança do passado, perseguidos e incompreendidos ainda pela grande maioria da população CIVILIZADA os índios não passam de diminutas "ilhas humanas" cercada de inimigos de todos os lados. (irmãos Vilas-Bôas)


Nesse momento os irmãos Vilas-Boas fazem muita falta. Os maiores indigenistas deste país certamente estariam chorando ao lado do cacique Raoni com a confirmação de que a presidente Dilma liberou o inicio das construções de Belo Monte, mesmo após cartas e manifestações desesperadas pela não construção da usina em área indígena, dos verdadeiros donos deste país que merecem ser respeitados porque vivem em harmonia com a natureza. Dilma ignorou 600 mil assinaturas de um abaixo-assinado e acaba de decretar a sentença de morte dos povos Xingus. Darcy Ribeiro também estaria chorando nesse momento, ele que tanto defendeu o índio brasileiro. Mas será que o Sting vai vir ao Brasil para se manifestar? Depois de ter ganhado muito dinheiro com a causa indígena será que ele se juntará a luta? E James Cameron o grande diretor de “Titanic” e “Avatar”, será que voltará ao Brasil pra usar sua influência e ajudar nessa causa? É nessa hora que descobrimos quem realmente se importa.
A questão aqui não é política, mas humana, a questão aqui não é a Dilma, mas a preservação da natureza e dos povos nativos deste país versus o progresso que poderia ser feito de maneira menos agressiva ao meio-ambiente procurando por outras alternativas energéticas.Belo Monte será maior que o Canal do Panamá, inundando pelo menos 400.000 hectares de floresta,
expulsando 40.000 indígenas e populações locais e destruindo o habitat
precioso de inúmeras espécies tudo isto para criar energia que
poderia ser facilmente gerada com maiores investimentos em eficiência
energética. Porque construir um elefante branco no meio da floresta, longe dos centros de consumo? A quem interessa? Nós sabemos a quem interessa e com certeza não é a nós que interesse construir tal empreendimento destruindo nossa riqueza natural.
Não é porque vivemos no “conforto” da cidade que devemos nos esquecer dos povos da floresta, tudo que consumimos depende da natureza e se um dia ela se acabar vamos todos morrer, quem já viu um índio Xingu de perto se arrepia tamanha o simbolismo que eles têm, é como ver a própria natureza, fauna e flora e vida selvagem, toda se movimentando e falando. Não há como não se sensibilizar com a luta deles pela sobrevivência. Existem índios que já foram “domesticados” e hoje vivem como nós vivemos, mas não é deles que estou falando. Estou falando do Índio que sempre esteve por aqui, os verdadeiros donos da terra, diga não a construção de Belo Monte, se manifeste em sua página das redes sociais, escreva e-mails, eduque seus filhos para respeitarem o meio-ambiente, escreva aos políticos, se manifeste de alguma maneira, enfim se envolva numa causa que realmente diz respeito ao país em que você vive, vamos mostrar para eles que nós ainda somos donos do Brasil!