“A gente não sabemos
escolher presidente/A gente não sabemos tomar conta da gente/A gente não
sabemos nem escovar os dente/Tem gringo pensando que nóis é indigente/Inútil/A
gente somos inútil” (Ultraje a Rigor – “Inútil”)
Apesar de todo nosso drama, o brasileiro adora comédia. O
Brasil, que é o pais da piada pronta, pede para que respeitem nossas lágrimas,
mais ainda mais nossas risadas. Rimos como ninguém da nossa própria desgraça,
porque rir é nosso melhor remédio, afinal podemos perder um amigo, mas não
perdemos a piada. O ultraje a rigor lançou “Inútil” em 1985 num contexto histórico
diferente do que vivemos agora, porém apesar disso a música ainda continua
atual. Porque no Brasil mesmo quando as coisas mudam, elas ainda continuam se
parecendo as mesmas. Com uma dose de ironia e um sutil tom crítico, a concordância
errada na música (usando a locução “ a gente” ao invés de nós), pode ser
interpretada como uma provocação reforçando a nossa "inutilidade" ao
não saber escolher presidente, jogar bola e nem ao menos escrever descentemente.
“A gente não sabemos escolher presidente”, quem elege é o
povo, e o voto de cada um de nós tem o mesmo valor, seja de um rico ou seja de
um pobre. Porém somos um país cuja desigualdade social faz com que as classes
menos abastadas sejam mais numerosas. São justamente os menos afortunados quem
decidem uma eleição, pois depositam numericamente mais votos nas urnas. É essa grande
massa de inocentes, porém ignorantes, que não têm cultura e nem educação
suficientes para realizar boas escolhas, porque é interessante mantê-los na ignorância,
que manipulados elegem populistas que falsificam a democracia. Foi assim com
Collor o líder dos descamisados; o FHC, homem que doma a inflação; o Lula,
pai dos pobres e Dilma, mãe do Bolsa Família e do PAC.
O pobre brasileiro pra político é gado e suas bases
eleitorais são como currais. Miséria não se acaba com TV de tela plana, máquina
de lavar ou celular, a miséria termina quando as pessoas se educam e recebem
mais conhecimento. Governos populistas fazem o povo acreditar que quem tem
dinheiro é contra os pobres. O pobre brasileiro passa a vida dependendo de
favores do estado, e saber manipular essa dependência é a habilidade de todo
político de sucesso. Para um populista, o pobre só é um anjo enquanto for
pobre. Se enriquecer, vira um demônio. Não se engane, populistas não são amigos
dos pobres, eles são sócios da pobreza.
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